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OLHOS ESCUROS


Os seus olhos escuros, quase negros,
Embelezam meu coração,
Inspiram minha alma
Ao ato mais belo da crueldade gentil
As pedras rochosas
Que enfeitam o jardim mais belo,
Com as flores mais bonitas,
Não poderia falta-lhe alí
E aqui
Um pouco da escuridão perfeita
Da beleza da maldade
E do ar da bondade
Que vivem por aí se debatendo
Entre suas forças

PSICOLOGIA DE UM VENCIDO

Eu, filho do carbono e do amoníaco,
Monstro de escuridão e rutilância,
Sofro, desde a epigênesis da infância,
A influência má dos signos do zodíaco.
Profundíssimamente hipocondríaco,
Este ambiente me causa repugnância...
Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia
Que se escapa da boca de um cardíaco.
Já o verme — este operário das ruínas —
Que o sangue podre das carnificinas
Come, e à vida em geral declara guerra,
Anda a espreitar meus olhos para roê-los,
E há-de deixar-me apenas os cabelos,
Na frialdade inorgânica da terra!